

Ricardo Mello – verape@yahoo.com

Claudia Paim – claudiapaim@hotmail.com
_______________________________
Ulisses : a terceira pessoa de cada eu
Ele
Eu
Ele que sou eu
Ele
Sai do quarto, ele dá um primeiro passo, o espaço onde ele existe é fora, mas nunca no presente.
Saira do quarto, dera o primeiro passo, o espaço onde ele existira fora o fora, mas nunca mais que perfeito.
Não era o devenir para ele no espaço de fora uma re-levante instância até o agora. Às antigas rimas mais barrocas, falava-pouco outras linguas, poucos-falavam com ele nessas linguas. E o mar.
Por escolha ele de nada sabia, enquanto que eu, com visto impermanente no bojo, habitava dentro de sua carcaça, o seu quarto.
Nisso que tudo se esvazia dos simbolos do espaço íntimo, o tapete se deslisa levando-os consigo passo após o outro. A rua, o concreto, o asfalto entao lhes substituiriam em meandros becos, setas ortogonais e planos confusos. Em palavras espelhadas, o sapato calça ao justo seu pé direito e afroucha-se a cada passo o esquerdo, o cordão solto amarra firme à superfície externa de tudo que pisara na subjascência de seus pés, o rastro invisível – um filme no calcanhar onde aquilo que cai sem ser visto é engolido pelo chão como se fosse um poema sépia. Certo que rever salva. Movimentos que se repetiram por algum tempo hà pouco do seu retorno. Fora dentro do fora. Jamais o retorno que o recolhe para dentro de mim, na espera do dia desse retorno, será uma repetição.
A ação de uma vez começara a lhe fazer sentido em busca de anchovas negras ou pouco importa. Às vezes de manhã e seguidamente na vespera de um tempo sem vestígio e impalpável partia. E assim, ele que sou eu, habitualmente, carregara em seu saco um pote de tinta branca e um pincel. A câmera de vídeo também lhe era inseparável. Havendo um corpo vis-à-vis o trajeto fora o de nada saber. Caminhara à deriva manso como na obscuridade de uma pequena abertura de tato. A temporalidade, desde a porta alhures, era o derretimento na alteridade do seu cubo intimo – aí onde bem eu restava. Na medida de uma relativização ligeira, um cubo íntimo era fabricado por ele, ele que sou eu em última retórica, como fabricara a mesa de um quarto, o quarto do estabelecimento onde me depositara, noutra cidade, de um país … dele que era meu desde quando me roubara.
•na câmera um clic sobre o botão rec e um grito pela desobstrução gaga
E era a partir de sua relação com esses espaços que assim ele pudera distinguir para avaliar e habitar o habitual do não-habitual. E no âmbito de sua ação num tempo diminuto – sempre que eu fora ele de um golpe – habitara obtuso o espaço exterior.
Ali Khodr- ali_khodr@hotmail.com
_________________________________________________